O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, entregou, na tarde desta segunda-feira (27), seu pedido de afastamento do cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma curta nota, divulgada no final da tarde, a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que "o ministro Antonio Palocci decidiu solicitar ao presidente da República seu afastamento do cargo. O ministro está encaminhando ao presidente Lula carta explicando suas razões". O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, foi confirmado como seu substituto.
Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Mantega disse que a política econômica - classificada por ele como "a mais bem sucedida nos últimos, 15, 20 anos" - será mantida. . "Essa política econômica é a política econômica do presidente Lula, o presidente Lula é o fiador dessa política econômica", confirmou.
As nuvens ao redor de Palocci vinham carregadas desde que suas declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos foram colocadas em xeque pelo caseiro Francenildo Santos Costa. Palocci negara ter freqüentado a casa alugada por seus ex-assessores Vladimir Poleto e Rogério Buratti; Costa declarou publicamente ter visto o ex-prefeito de Ribeirão Preto usufruindo das dependências da casa por várias vezes.
A situação de Antonio Palocci complicou-se ainda mais na tarde desta segunda-feira (27), com o depoimento do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, na Polícia Federal. Mattoso disse, conforme informações da assessoria da PF, que Palocci teve acesso ao sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. No depoimento, Mattoso disse que entregou, "pessoalmente", o extrato bancário de Francenildo a Palocci. Segundo informações da Agência Brasil, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que preside o inquérito sobre a quebra ilegal do sigilo do caseiro, afirmou que o depoimento "foi corajoso, mas de alguém que estava arrasado".
REPERCUSSÕES O deputado federal Maurício Rands (PT-PE) afirmou no Congresso Nacional que o pedido de afastamento de Palocci, mesmo que venha a ser aceito pelo presidente Lula, não implica em "confissão ou reconhecimento de culpa". Para ele, o afastamento foi apenas uma solução para permitir que as coisas pudessem "voltar à normalidade".
O episódio da quebra de sigilo, definiu Rands, de fato é "muito grave" e o desligamento do ministro da Fazenda não impede que as denúncias sejam apuradas com rigor. Com a mudança de cenário, o deputado disse que espera que a campanha eleitoral que se inicia possa se aprofundar no contraste de propostas para o País, dificultando a tentativa da oposição de "perpetuar a crise" com vistas às eleições.
Líder do PT no Senado, a senadora Ideli Salvatti (SC) declarou publicamente no plenário do Senado que conversara com Palocci de pois do anúncio. Segundo ela, ele confirmou que decidiu pedir afastamento "em consideração ao País e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva" e solicitou que a senadora transmitisse agradecimentos pelo apoio que recebeu da maioria aos senadores e senadoras.
Políticos da oposição, por seu turno, se concentraram na defesa da manutenção da política econômica sustentada durante a gestão de Palocci. Ainda de acordo com a Agência Brasil, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu um sinal "firme e claro" do novo comandante da Fazenda confirmando os fundamentos da política em vigência - metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário (economia feita pelo governo para o pagamento dos juros da dívida).
Fonte: Agência Carta Maior |