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  20/03/2006 

Pobreza chega à classe média

A classe média, que viveu seu "apogeu" no período da ditadura militar - em especial durante o chamado milagre econômico -, passou por empobrecimento nas duas últimas décadas. Destaque para dois processos nesse período: os baixos índices de crescimento econômico do país desde o início dos anos 80 e as reformas neoliberais realizadas durante os 90 por meio da abertura comercial e produtiva do país. Combinadas, essas políticas "impuseram juros altos, forçaram a diminuição do Estado, reduziram a população assalariada e empobreceram a classe média", avalia o economista Ricardo Amorim que, em conjunto com outros pesquisadores de universidades paulistas, entre eles Márcio Pochmann, publicou o estudo Classe Média - Desenvolvimento e Crise, a partir dos dados do Censo de 2000.

De 1980 a 2000, 7 milhões de pessoas perderam seus empregos. Sem conseguir voltar ao mercado de trabalho, deixaram de fazer parte da classe média. "Nos anos 90, muitas empresas fecharam ou diminuíram o número de funcionários. A reestruturação do mercado de trabalho se deu sobretudo em cargos ocupados pela classe média", explica Amorim, lembrando que pessoas que foram demitidas ganhando de R$ 4 mil a R$ 5 mil por mês tiveram que aceitar empregos por salários de R$ 1,5 mil. "A precarização do trabalho chegou às camadas médias. Houve uma piora na distribuição de renda no Brasil nos últimos 20 anos. A classe média empobreceu e o capital especulativo enriqueceu", conclui.

Privatizações e informalidade
Os anos 90, classificados pelo sociólogo Ricardo Antunes como a "década da desertificação social no Brasil", foram marcados por inúmeras privatizações, crescimento da informalidade e "financeirização da economia". Segundo Antunes, juntamente com a aplicação de uma política econômica neoliberal, houve uma reestruturação produtiva com o objetivo de adequar o país a uma nova divisão do trabalho, da qual nasceu um novo proletariado, terceirizado. "Esse processo também atingiu a classe média", afirma. Segundo ele, as privatizações dos setores de energia, siderurgia e telefonia "trouxeram novos elementos para as classes dominantes brasileiras que se tornaram ainda mais subordinadas às transnacionais".
Se, de um lado milhares de pessoas dos setores médios da sociedade "desceram vários degraus da hierarquia social, outras poucas subiram mais ainda, e a concentração de riqueza aumentou ainda mais no país", aponta Antunes. Dados da publicação estadunidense Forbes confirmam a afirmação do sociólogo. A lista de bilionários divulgada pela revista mostra que, no Brasil o número de integrantes na relação dos mais ricos do planeta dobrou em apenas um ano. O ranking tem agora 16 brasileiros, contra oito em 2005, e é liderado pelo banqueiro Joseph Safra.

Padrão de consumo
O estudo feito pelos pesquisadores também aponta mudanças no padrão de consumo da classe média, formada por 15,4 milhões de famílias (31,7% das famílias existentes no país). "Foram reduzidos gastos mais luxuosos e aumentaram o consumo de itens mais básicos", explica o economista Ricardo Amorim. Em 1987, os gastos com alimentação tinham participação de 24,5% nas despesas do mês; em 2003, caíram para 15,9%. Já a participação em vestuário era de 11% e caiu para 5% no mesmo período. Já o gasto em itens como habitação, transporte e educação subiu de 17,6% para 29,5%, de 8,7% para 16,9% e de 2,2% para 3,6%, respectivamente.
O impacto do neoliberalismo no bolso da classe média também se dá pela precarização da atuação do Estado na área social. "Com a diminuição do Estado e o sucateamento dos serviços públicos, a classe média arca duas vezes com os mesmos serviços. Paga os impostos, mas como sabe que o serviço público é ruim, acaba gastando com serviços públicos", analisa.

Mais conservadorismo
A pauperização da classe média, historicamente conhecida como conservadora, poderia indicar uma aproximação com as classes trabalhadoras. Será? "Poderíamos, sim, esperar que a classe média se politizasse, mas aconteceu o contrário, está mais conservadora". Os números explicam: em 1980, 64,6% da classe média era assalariada em relação à População Economicamente Ativa (PEA) urbana. Esse percentual caiu para 55,8% em 2000. No mesmo período, aumentou a participação da classe média proprietária sobre a PEA urbana, de 35,4% para 44,2%. "Quando a classe média é assalariada fica mais próxima dos trabalhadores, como era na década de 80. A partir do momento que se torna proprietária, fica mais individualista e conservadora", constata Amorim.

Fonte: Jornal Brasil de Fato

Última atualização: 20/03/2006 às 10:08:00
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