O fato de as negociações salariais em 2005 terem sido as melhores dos últimos 10 anos, mantendo tendência registrada no ano anterior, estimula-nos a discutir os próximos passos para aperfeiçoar os acordos coletivos. É evidente que reajustes reais para as categorias organizadas são uma importante conquista, mas não seria prudente gastarmos tempo demais comemorando, pois há muito por fazer.
Os acordos podem e devem avançar para a conquista de cláusulas novas, como a redução do ritmo do trabalho, a limitação das horas extras, um tratamento novo e inclusivo para a terceirização e os serviços temporários, e o combate a todas as formas de precarização no mundo do trabalho.
Nosso desafio continua sendo a realização de uma campanha salarial unificada que defenda também as chamadas cláusulas não-econômicas, e que os acordos salariais tenham maior duração. Assim, em lugar de os trabalhadores e suas entidades sindicais estarem permanentemente pressionados, na maior parte do tempo, pela renovação de acordos em torno do que há de mais básico nas relações de trabalho, possam também lutar em perspectiva de longo prazo por mais direitos que, embora essenciais, passam ao largo das negociações de diversas categorias.
O balanço divulgado nesta quinta-feira pelo Dieese também nos faz pensar que crescimento econômico, ainda que o Banco Central insista em remar contra, é essencial.
João Antonio Felicio - Presidente nacional da CUT |