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Notícias

  21/02/2006 

Bancos brasileiros cobram o maior juro do mundo

Em todo o planeta, não há um país em que os bancos cobrem juros tão altos como no Brasil. Esse novo recorde do sistema financeiro nacional foi revelado ontem pela Folha de S. Paulo, que fez um levantamento em 107 países a partir de dados coletados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A pesquisa e a reportagem, feitas pelo jornalista Ney Hayashi Cruz, mostram que os juros cobrados pelos bancos brasileiros são os mais altos de todos.

Segundo a reportagem, a lista foi feita com base nos juros praticados em cada país no segundo trimestre de 2005, já descontada a inflação acumulada nos 12 meses anteriores. Com esse método, a Folha concluiu que a taxa real cobrada pelos bancos brasileiros é de 44,7%.

A Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) sempre denunciou o abuso dos banqueiros. “Como o artigo 192 da Constituição Federal (que trata do sistema financeiro) até hoje não foi regulamentado, os bancos contam apenas com resoluções do Banco Central, que invariavelmente favorecem ainda mais o lucro dos banqueiros. Por exemplo, a medida que liberaliza a cobrança de tarifas bancárias dos clientes. A Constituição diz que os juros devem ser de 12% ao ano, mas é letra morta. Já que o artigo não foi regulamentado, essa norma não é respeitada pelos banqueiros”, disse Miguel Pereira, secretário de Imprensa da CNB/CUT.

Segundo ele, se as taxas fossem menores, os bancos ganhariam no volume de crédito concedido e não na especulação e verdadeira "agiotagem oficial" que praticam. “Apesar das recentes medidas que o governo vem tomando (redução na Selic, queda da inadimplência, diminuição dos compulsórios e alterações na lei de falências), os banqueiros não reduzem seus spreads, cobrando a maior taxa de juros do mundo. Não é à toa que batem recordes atrás de recordes a cada ano em lucratividade”, comentou.

Para a Confederação dos Bancários, o papel dos bancos é o de fomentar o desenvolvimento e o crescimento econômico, gerando com isso mais empregos e uma maior distribuição da renda nacional. “Mas, ao contrário, os bancos promovem o aumento da concentração da riqueza, pois além de ser pequeno o percentual destinado às linhas de crédito, o que é emprestado é um verdadeiro escândalo, provocando o endividamento brutal das famílias e inviabilizando uma série de empreendimentos. Ou seja: além de não contribuir para o desenvolvimento, acabam sugando os recursos de todos os outros setores da economia”, explicou Miguel.

Conforme a reportagem da Folha, se fosse feita uma média simples dos juros reais praticados pelos bancos nos 107 países da lista chegar-se-ia a uma taxa de 7,4% ao ano: “esse seria o custo médio de um financiamento bancário no mundo. O que significaria dizer que, no Brasil, uma pessoa ou uma empresa paga quatro vezes mais do que no resto do planeta por um empréstimo”, assinalou o jornalista.

Somente em cinco países - incluindo o Brasil - os juros reais médios dos financiamentos bancários superam os 20% ao ano. Dos 107 países analisados, 81 oferecem uma taxa menor que 10% ao ano. No topo da lista, o Brasil tem a companhia de vários países africanos, como Angola (43,7% ao ano), Gâmbia (31,8%), Gabão (18,2%) e Moçambique (14,7%).

Do lado oposto, dois vizinhos aparecem entre os países em que os juros bancários são mais baixos. Na Argentina, a taxa real chega a ser negativa, porque os encargos cobrados pelos financiamentos são menores do que a inflação. Na Venezuela, o custo médio de um empréstimo é de 0,2% ao ano, também já descontada a inflação. Pelos dados do FMI, até o Haiti possui uma taxa menor do que a brasileira: 13,1% ao ano.

Os juros de 44,7% ao ano cobrados nos empréstimos bancários a pessoas físicas e jurídicas no Brasil, no segundo trimestre de 2005, estão bem acima da taxa básica de juros (Selic), hoje em 17,25% ao ano. A taxa do BC também é a mais alta entre os bancos centrais do mundo.

“Além das altas taxas de juros os bancos vêm engordando cada vez mais seus ganhos com as famigeradas tarifas, que em muitos casos cobrem toda a folha de pagamento dos bancos e ainda sobra. Por isso precisamos da regulamentação do artigo 192. A CNB/CUT apresentou projeto para isso em 1992.... Também é necessária, alterações na política econômica, baseada apenas no controle inflacionário, para que o país possa crescer mais e os bancos de fato financiarem este crescimento e cumprir seu papel”, finalizou Miguel.

Fonte: CNB/CUT

Última atualização: 21/02/2006 às 09:18:00
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