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Notícias

  20/01/2004 

Roberto Smith defende BNB em artigo publicado na Folha de São Paulo

 

Sertão, uma outra história

Por Roberto Smith, presidente do BNB

No artigo "O sertão do abandono", publicado na Folha no último dia 4 (pág. A3), o professor Marco Antonio Villa fala da "grande seca de 2005, já prevista desde o final do século passado", para assinalar o que considera "o absoluto descaso do governo quanto às necessidades da região". Não gostaria de me deter em seus vaticínios catastrofistas. O articulista sabe bem que a seca sempre foi um argumento funcional à impregnação do poder das chamadas elites nordestinas, a serviço do clientelismo que produziu historicamente a miséria e o atraso.

Ao dizer que "o Banco do Nordeste do Brasil foi loteado no banquete da base política governista e mantém o mesmo perfil das últimas décadas: é um generoso caixa para atender às demandas dos oligarcas nordestinos", o professor comete pecado profissional de um historiador que despreza qualquer aderência aos fatos e dá vazão, na sua crítica leviana, à especulação imaginária e preconceituosa.

O Banco do Nordeste (BNB) encontrou a mesma situação com a qual o governo Lula deparou no país. E está empenhado num intenso processo de construção do desenvolvimento social e econômico regional, que tem por base o apoio à estruturação autônoma dos interesses legítimos existentes na sociedade e um tratamento ético e responsável aos fundos públicos, que passaram a ser recuperados e investidos de forma correta e consistente.

Considero a crítica um exercício de democracia e o debate, fundamento da cidadania. Entender o semi-árido a partir da seca é sintoma de recaimento na velha armadilha da argumentação dos coronéis e dos neocoronéis na captura das benesses do Estado. Tanto quanto considerar que todas as soluções da problemática do semi-árido nordestino repousam apenas na ação do governo, esquecendo-se do papel da sociedade na estruturação da sua base produtiva e na afirmação de seus direitos.

Um primeiro aspecto que nos tem servido de guia para a ação decorre do entendimento de que o Nordeste não é um capítulo à parte no tratamento dos problemas nacionais. O BNB está comprometido com o esforço de democratização e acesso ao crédito, com o programa de segurança alimentar, com o Bolsa-Família, com o apoio à agricultura familiar, com o Seguro-Safra, com a atração de investimentos para a região, enfim, com tudo que implica tanto o combate à exclusão social como a geração de empregos.

Sem perder a dimensão histórica dos fatos, convém lembrar que são 502 anos de clientelismo que estão sendo superados. O BNB está presente nos 1.983 municípios da região, com o trabalho de suas agências e de seus agentes do desenvolvimento, implantando no Nordeste as diretrizes governamentais de desenvolvimento e inclusão social. Sem clientelismo, sem tutela e com senso de responsabilidade. Já é o segundo banco em volume de crédito rural do país e sozinho responde por mais de 80% do crédito à agricultura familiar no Nordeste. Nesta safra, estará aplicando R$ 550 milhões, em grande parte no semi-árido. O CrediAmigo, programa de microcrédito solidário urbano, é o segundo maior da América Latina, já completou R$ 1 bilhão em operações e neste ano será estendido ao meio rural.

O Nordeste incorpora muitas realidades, muitas diversidades. O semi-árido tem grandes riquezas biológicas e naturais que permaneceram conservadas, livres do uso indiscriminado de defensivos agrícolas. O Piauí hoje é o maior produtor de mel do Brasil. A China viu-se alijada da posição de maior produtora de mel mundial porque suas abelhas não souberam distinguir áreas contaminadas. A preservação ambiental é um dos pontos fortes da cultura técnica e profissional do BNB.

Um outro aspecto diz respeito ao cuidadoso critério de avaliação de risco circunscrito aos financiamentos concedidos e ao esforço na recuperação dos recursos públicos do Fundo Constitucional do Nordeste. Tanto o amadurecimento empresarial quanto o direcionamento adequado da política de investimentos colocam hoje a região numa perspectiva de melhoria dos seus indicadores sociais e econômicos.

O passado e o presente não devem ser confundidos. A eficácia dos recursos aplicados e a recuperação de ativos jogados no lixo mostram que queremos mudar essa história. A expansão da demanda de crédito para investimentos sinaliza que estamos gerando as condições para o crescimento, com responsabilidade e sem faz-de-conta.

O BNB vem estruturando uma política produtiva para a região, em conjunto com o BNDES, o Basa e segundo as diretrizes do Ministério da Integração, envolvendo o DNOCS e a Codevasf.

Por fim, é oportuno esclarecer que o ministro Palocci buscou para a diretoria do BNB uma composição técnica, qualificada e experiente, tanto na área bancária quanto na de desenvolvimento regional. E essa equipe está à frente de um corpo técnico concursado e capacitado, principal capital do Banco do Nordeste.

* Artigo publicado em 15/1/2004, no caderno Opinião, p. A3, Tendências e Debates, do jornal Folha de São Paulo.

Última atualização: 20/01/2004 às 10:27:00
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