O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou os níveis de aprovação que tinha antes do início da crise do mensalão, conforme pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada pelo jornal "Folha de São Paulo" neste domingo (5). Segundo a pesquisa, realizada nos dias 1° e 2 de fevereiro, 36% dos entrevistados consideram o desempenho de Lula ótimo ou bom, contra 23% que consideram o atual governo ruim ou péssimo. Na pesquisa anterior do Datafolha, realizada em dezembro, 29% dos entrevistados consideravam o governo ruim ou péssimo, contra 28% que o avaliavam como ótimo ou bom. Já o número de pessoas que considera o governo regular caiu de 41% para 39%.
Comparando as pesquisas do Datafolha, antes do início da crise, em junho de 2005, o índice de aprovação de Lula também era de 36%. Nas pesquisas seguintes, esse número foi caindo, chegando ao seu nível mais baixo, 28%, em outubro. O Datafolha ouviu 2.590 pessoas em 153 cidades.
Ainda segundo o Datafolha, a aprovação a Lula subiu oito pontos percentuais de dezembro para cá, o que mostra que ele segue sendo um forte candidato à eleição presidencial deste ano. Nas simulações de segundo turno, o prefeito de São Paulo, José Serra, segue na frente, mas já apresentando uma situação de empate técnico em relação a Lula.
Na simulação com Serra, o tucano tem 34% e Lula 33% no primeiro turno, empate técnico portanto. No segundo turno, a vantagem de Serra é de 49% a 41%. Contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Lula vence nos dois turnos: 36% a 20% (1° turno) e 48% a 39% (2° turno). Os demais postulantes, segundo o Datafolha, permanecem como coadjuvantes na disputa. Garotinho está na casa dos 10%, a senadora Heloísa Helena (P-SOL) entre 6 e 7%, Roberto Freire (PPS) e o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB) oscilando entre 1 e 2%.
CRESCIMENTO ENTRE OS MAIS POBRES
O levantamento do Datafolha mostra que Lula deve boa parte de sua melhora aos mais pobres. Entre os que têm renda familiar mensal até cinco salários mínimos, a taxa dos que consideram o desempenho do presidente ótimo ou bom subiu de 29% em dezembro para 38% hoje. Já a avaliação dos que definem o governo como ruim ou péssimo caiu de 28% para 21% no mesmo período. Entre os que têm renda entre cinco e dez salários, o índice de aprovação subiu oito pontos.
Já entre aqueles que ganham mais de dez salários, a aprovação subiu apenas um ponto percentual. Entre os entrevistados com ensino fundamental, a taxa de aprovação subiu de 31% para 40%, enquanto que a de reprovação caiu de 29% para 20%. Em relação à faixa etária, Lula recuperou pontos principalmente entre os que têm de 35 a 44 anos, tendo passado de 29% para 41% a taxa dos que avaliam seu desempenho como bom ou ótimo, um aumento de 12 pontos percentuais.
A PESQUISA POR REGIÕES
A pesquisa também mostra que a avaliação de Lula melhorou significativamente nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o índice de aprovação aumento 12 pontos percentuais (subiu de 26% para 38%). Nestas regiões, o índice de desaprovação caiu de 32% para 22% (10 pontos percentuais). A região Sul continua sendo uma pedra no sapato do presidente, embora aí também sua avaliação geral tenha melhorado.
Em relação à pesquisa realizada em dezembro pelo Datafolha, a taxa de aprovação de Lula no Sul passou de 19% para 27%, enquanto a de reprovação caiu sete pontos (de 39% para 32%). Já na região Sudeste, a provação subiu de 27% para 33%, enquanto a reprovação caiu de 31% para 25%. Mas a região de maior prestígio permanece sendo a Nordeste, onde o índice de aprovação do presidente está na casa dos 44%, índice sete pontos superior aquele verificado em dezembro de 2005.
O Datafolha também avaliou a opinião dos entrevistados sobre o desempenho do governo Lula nas áreas econômica e social. Na primeira, o desempenho do presidente foi aprovado por 38%, reprovado por 19% e considerado regular por 40%. Já na área social, a aprovação foi de 36%, a reprovação foi de 21% e 39% consideraram o desempenho regular.
Em suas linhas gerais, a pesquisa mostra que o presidente permanece mais vivo do que nunca para a disputa eleitoral deste ano, obtendo elevação de aprovação em praticamente todos os nichos pesquisados. Aumentou também uma tendência de polarização na campanha, caso a disputa seja mesmo entre os candidatos do PT e do PSDB. Cresce a aprovação de Lula entre os mais pobres, enquanto os candidatos do PSDB tem maior simpatia entre as camadas com maior poder aquisitivo da população. Apesar do brutal impacto da crise política, Lula, definitivamente, continua na briga.
Fonte: Agência Carta Maior |