Representantes das principais centrais sindicais reuniram-se nesta quinta-feira com os parlamentares da Comissão Mista de Salário Mínimo do Congresso Nacional. O encontro discutiu propostas para a criação de uma legislação que permita uma política permanente de valorização do salário mínimo. Reajustar o salário mínimo de acordo com a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mudar a data-base para janeiro e reduzir a tributação dos produtos da cesta básica foram algumas das propostas debatidas na reunião.
O presidente da CUT, João Felício, acredita no debate promovido pela comissão para elaborar uma lei que recupere o poder de compra do salário mínimo. "Vamos sair desse debate cansativo e estéril de todos os anos de quanto vai ser o valor do salário mínimo", disse. Para ele, o que vem ocorrendo ao longo dos anos é um debate "populista" e "demagogo". "Cada um chega aqui, saca um valor, tira um valor do bolso do colete e acha que vai resolver o problema do achatamento salarial do país", afirmou o presidente da CUT.
Felício lembra que R$ 1.600 é o valor indicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) como o ideal, mas destaca que essa é uma "bandeira" dos representantes dos trabalhadores. "Sonhamos um dia chegar lá. Mas para chegar lá, tem que ter a política de aumento real", afirmou Felício.
Para Miguel Pereira, secretário de Imprensa da CNB/CUT, a definição de uma política permanente de revalorização do mínimo é fundamental. “Se for avaliar, o numero de pessoas que recebem salários próximos do valor do mínimo mais os que vivem da Previdência Social é muito mais da metade da força de trabalho hoje empregada no país”, analisa. “Além disso, a recuperação do mínimo gera novos postos de trabalho, por que com o aumento da renda as pessoas consumem mais, incentivando o crescimento econômico, e isso força uma distribuição de renda. A melhor fora de distribuir renda é pela valorização dos salários”, defende.
Para o relator da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), há uma sintonia nas sugestões apresentadas para construir uma política "que garanta que todo o ano a correção do mínimo seja quase que automática". Ele acredita que até agosto é possível concluir um relatório propondo uma lei que permita uma política permanente do salário mínimo.
Fonte: CNB/CUT, com informações da Agência Brasil |