A criação de empregos, maior cobertura em saúde, aumento das aposentadorias e seus benefícios e melhorar a qualidade da educação são as principais promessas que os candidatos à Presidência do Chile, Michelle Bachelet e Sebastián Piñera, transformaram no eixo de suas campanhas para o segundo turno do próximo domingo (15). Enquanto Bachelet, a médica pediatra favorita nas pesquisas, resumiu em 36 suas propostas para os primeiros 100 dias de governo, Piñera apresentou 120 para o mesmo número de dias. O candidato da oposição de direito, que é dono da companhia aérea Lan Chile, tentou mostrar que pode ir muito mais rápido que a candidata governista se assumir a Presidência em março, como sucessor de Ricardo Lagos.
As propostas de Bachelet e Piñera são quase idênticas, já que prometem mais emprego, melhor educação, maior cobertura de saúde, aumento das aposentadorias e pensões e ênfase no ensino infantil. O economista Eduardo Engel, do comando de campanha de Bachelet, acusa Piñera de "copiar" o plano econômico governista e garantiu que das 120 medidas que propõe, 22 já existem e estão funcionando ou sendo implementadas pelo atual governo de Lagos. Para Engel, outras 71 propostas de Piñera são "cópias do programa de Bachelet, como as destinadas ao combate o crime". Segundo Engel, das 120 medidas anunciadas por Piñera "só 13 são propostas próprias".
Felipe Larraín, chefe da equipe econômica de Piñera, garantiu que "não há cópia, e sim coincidências", e propôs que os eleitores devem se perguntar "qual dos candidatos está mais bem capacitado para cumprir as promessas". Larraín explicou que das 120 propostas, "aproximadamente a metade são medidas sociais, que têm a ver com temas como saúde, educação, pobreza, pensões e emprego". "Vamos criar 120 mil novos empregos nos primeiros quatro meses de governo e um milhão em quatro anos", disse Larraín, negando a acusação do comando de Bachelet de que a promessa eleitoral se resume a contratos precários".
"Não queremos criar empregos de emergência, nem de má qualidade. Queremos que as pessoas tenham acesso a bons empregos nas empresas privadas e que esses empregos possam ser mantidos através do sistema de ‘aprender trabalhando‘, como chamamos este programa", disse o assessor de Piñera.
Entre os comunistas No último dia 6, Michelle Bachelet assumiu, na Central Única de Trabalhadores (CUT), as propostas do Partido Comunista para apoiá-la no segundo turno. Sua manifestação foi acompanhada por mais de mil dirigentes sindicais. Os votos dos comunistas, estimados em 5% do eleitorado, são essenciais à vitória na eleição, marcada para o próximo domingo (15).
“Que força, neste momento, sentir o apoio dos trabalhadores”, disse Bachelet, na CUT. Durante seu discurso, ratificou os pontos mínimos alinhados pelo PC. “Temos um sistema eleitoral absolutamente injusto. Terminaremos de uma vez com a exclusão de importantes setores nacionais no parlamento. Encaminharei um projeto para reformar o sistema binomial e substitui-lo por um muito mais justo, proporcional e representativo”. O fim do excludente sistema binomial, herança da ditadura, é a principal reivindicação eleitoral da esquerda chilena.
Quanto à defesa das garantias dos trabalhadores, a candidata desafiou a direita a votar, como prometeu Piñera, a favor de garantias trabalhistas na “subcontratação”, nome dado no Chile à terceirização. O projeto, em votação esta semana na Câmara dos Deputados, enfrenta oposição da direita. O auditório a aplaudiu quando ela se referiu às liberdades sindicais. “Necessitamos uma maior igualdade nas relações entre trabalhadores e empresários. Isso se consegue ampliando a negociação coletiva e o direito de greve dos trabalhadores”. Em relação às aposentadorias, Bachelet prometeu reajuste extra às pensões mais baixas. Destacou que “o mais importante será a reforma profunda das aposentadorias em nosso país, de modo a proteger as pessoas na velhice”.
Direitos humanos “O Chile deve reparar as vítimas de violações de direitos humanos”, enfatizou a candidata, uma ex-presa política. Sua mãe também foi prisioneira de Pinochet. E o pai, o general da Força Aérea Alberto Bachelet, sofreu brutais torturas e morreu na prisão. “A democracia é incompleta se não fecharmos as feridas do passado, mas o futuro não terá cimentos profundos se não se basear na verdade e na justiça”, acrescentou.
Ela defendeu o aprofundamento do processo democrático: “Queremos uma democracia em que os dirigentes sindicais possam ser candidatos (direito vedado hoje no Chile), em que haja referendos e plebiscitos, uma democracia participativa em que os trabalhadores deliberem sobre assuntos como a reforma previdenciária”.
Bachelet terminou com um apelo: “Não dá no mesmo, em 15 de janeiro, votar em qualquer dos candidatos. Convoco vocês a eleger pela primeira vez na história do Chile uma mulher, uma presidenta que vai defende-los”.
No único debate entre os candidatos, no segundo turno, em 4 de janeiro, as avaliações apontam melhor desempenho de Bachelet. Mas o debate discutiu poucas questões substantivas. Já o discurso na CUT sinalizou um giro à esquerda da candidata da Concertação.
Para Guillermo Teillier, presidente do Partido Comunista, “um governo de direita não mudará o sistema binomial. Querem o ponto final no tema dos direitos humanos. Por isso vamos votar em Bachelet”. Mas sublinha: “Os programas econômicos de Bachelet e Piñera são similares. Ambos pretendem administrar o sistema neoliberal imposto pela ditadura”. Outro dirigente do PC, Lautaro Carmona, aponta que “o compromisso público de Bachelet na CUT foi com os trabalhadores e o país. A partir de 16 de janeiro, lutaremos junto ao povo para realizá-lo”. Fonte: Agência Carta Maior
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