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Notícias

  10/01/2006 

“A pressão da mídia não é nova”

Presidente da Câmara há pouco mais de três meses, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) está sob bombardeio desde 16 de dezembro, quando foi decidida a convocação extraordinária do Congresso. Diariamente, a imprensa bate nas imagens do Plenário vazio e pergunta se, por R$ 100 milhões, valeu a pena chamar os deputados para trabalhar nas férias. Aldo lembra que, em seus 16 anos de atuação parlamentar, só em três não houve convocação. “Não estou arrependido, mas temos que mudar as regras”, diz. Essa mudança está escrita em um projeto de lei que deverá ser votado até o dia 15 de fevereiro, quando acaba a convocação. Caso seja aprovado, deputados e senadores deixarão de ter três meses de recesso, mas somente 45 dias de férias. Para o presidente da Câmara, os deputados trabalham mais que a média dos brasileiros. E Aldo vê nos interesses comerciais o cerne do desgaste atual da imagem do Legislativo.

CartaCapital: A convocação extraordinária é mesmo necessária?
Aldo Rebelo:
A convocação atrapalha mais do que ajuda. O Congresso não é como uma linha de montagem de quinquilharias políticas, mas uma casa de representação popular onde se discute e se pondera a realidade brasileira, com todas as suas mazelas, desequilíbrios e desigualdades.

CC: O que o senhor acha da idéia, muito difundida, de que os parlamentares brasileiros têm férias demais, de quase três meses por ano?
AR:
O recesso deve existir, é necessário em alguns casos, embora de menor duração, porque é preciso que o parlamentar tenha contato com a população que representa. Tem de ir até ela, em algum momento, para debater a atividade legislativa e os problemas do País. Mas, de qualquer forma, existe mobilização na Câmara para aprovar ainda na convocação extraordinária o projeto que reduz o recesso parlamentar de 90 para 60 ou 45 dias.

CC: Mesmo assim, não é muito mais folga que a maioria dos trabalhadores do País tem?
AR:
Se for computar, à exceção dos trabalhadores braçais, os deputados trabalham acima da média dos demais brasileiros. Porque existe uma visão corriqueira de que os parlamentares só trabalham quando estão no Congresso, de terça a quinta-feira. Não é verdade.

CC: Por que a imprensa insiste em mostrar o fracasso da convocação?
AR:
As corporações privadas sabem que o povo influencia na vida do parlamentar, daí essa pressão diária, no noticiário, do Plenário vazio, dos R$ 100 milhões gastos com a convocação. Porque o povo pode mudar o Congresso, mas não uma empresa, um jornal ou uma tevê.

CC: Como assim?
AR:
Um dia eu estava viajando com o presidente Lula e o ministro Luiz Fernando Furlan (do Desenvolvimento) e soube de uma coisa incrível: o Brasil paga, diariamente, R$ 600 milhões de juros da dívida interna. São R$ 600 milhões por dia! Faz isso sem nenhuma pressão da mídia, sem o noticiário informar, todo dia, que isso é uma situação vergonhosa. Nada.

CC: Mas R$ 100 milhões a mais para parlamentares, em uma convocação de Plenário vazio, não é muito dinheiro?
AR:
É claro que R$ 100 milhões é bastante dinheiro. Toda despesa do País tem de ser proporcional, e essa é inerente ao Poder Legislativo. Eu acho que não deve haver convocação extraordinária, e, se houver, não deve ser paga. É uma resposta política que o Congresso deve dar ao povo. Estou certo de que o projeto de lei nesse sentido será aprovado. Não pelos motivos que a mídia apregoa, mas porque num país tão desigual é importante o Legislativo ter gestos políticos emblemáticos.

CC: A mídia, para o senhor, tem um papel maléfico nessa circunstância?
AR:
A pressão da mídia não tem nada de novo. Em um país desajustado como o nosso, os reflexos acabam sendo ruins em tudo, inclusive nas empresas. Temos uma indústria mais ou menos próspera com muitos interesses, mas que não se consideram instituições nacionais.

CC: O comportamento de certos parlamentares não contribui para esse desgaste?
AR:
É evidente que alguns congressistas, como certa vez disse Gilberto Freyre, se embriagam de microfones como os adolescentes se embriagam de vinho. Mas a grande maioria está interessada em debater projetos para melhorar a realidade de suas comunidades e fazer o País avançar.

Fonte: Revista Carta Capital

Última atualização: 10/01/2006 às 10:57:00
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