O Governo Federal ainda não sabe quando serão implementadas as delegacias da Polícia Federal (PF) que trabalharão específicamente contra crimes financeiros. Programadas para existir em todos os estados e nas cidades que hoje já têm uma Vara especializada em reprimir estes delitos, seu principal foco seria o combate ao "caixa 2".
A instalação das unidades ainda não tem data certa para acontecer porque dependem de definições do Ministério da Justiça e do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão. "A principal ação de combate deste crime é atuar diretamente no bolso dos criminosos, quebrando as empresas que fazem parte destas redes", afirmou o delegado federal Leonardo Guarda. Provavelmente, no Ceará, serão duas delegacias: uma vinculada à superintendência da PF no Estado e outra à Vara de combate a crimes financeiros de Fortaleza.
A proposta de criação das delegacias é ambiciosa, uma vez que a PF sofre há anos com falta de investimentos e escassez de contingente para suprir as demandas de combates a crimes até internacionais. "Sem dúvida estamos com um número aquém do que deveria, mas é preciso salientar o salto qualitativo dos agentes, que estão se especializando neste tipo de crime", afirmou o delegado Leonardo Guarda, da Polícia Federal.
O projeto responde à uma convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a corrupção - da qual o Brasil é signatário -, que entrou em vigor em dezembro. Além das delegacias, o país também adotará o mecanismo chamado PEPs (politically exposed persons), que prevê o monitoramento de pessoas politicamente expostas. Neste sentido, o Brasil passará a investigar permanentemente os políticos, tanto do poder Executivo, quanto do poder Legislativo.
O Brasil ainda está engatinhando no que se refere ao combate aos crimes de "colarinho branco", lavagem de dinheiro e caixa 2. Em 1998, quando criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros no Banco Central, é que o governo federal assumiu a responsabilidade de coibir estas atividades. "Os criminosos parecem estar sempre um passo a nossa frente. Hoje já existe a modalidade de lavagem de dinheiro que já foi lavado", disse Guarda.
No caso específico de caixa 2, 2006 promete ser um ano de muita fiscalização. Depoimentos e investigações das CPIs no ano passado, reconheceram que diversos partidos praticam o crime há muitos anos, gerando um dos maiores escândalos políticos da história do país. Bancos, empresas privadas e estatais foram envolvidas, demonstrando que a abrangência do desvio de recursos era maior do que se pensava.
Fonte: Jornal O Povo
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