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  29/12/2005 

Banco Central “digere” queda no PIB e prevê expansão de 4% em 2006

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (28) que reduziu de 3,4% para 2,6% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2005. O ajuste, que consta no Relatório Trimestral de Inflação do banco, incorpora a desaceleração da atividade econômica no terceiro trimestre do ano, quando o PIB recuou 1,2% em relação ao segundo trimestre – conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados há um mês.

Apesar da previsão enxuta, o BC não perdeu a pose e imprimiu um tom positivo ao relatório. Os técnicos avaliam que a política monetária continuará flexibilizada – traduzindo: os juros continuarão em trajetória descendente – e a atividade econômica voltará a se aquecer. A estimativa de crescimento do PIB em 2006 é de 4%.

“Tendo em vista a continuidade do crescimento do emprego, o aumento progressivo da massa salarial real, o reequilíbrio dos estoques no setor produtivo e os efeitos da flexibilização em curso na política monetária, antecipa-se um cenário de aceleração do ritmo de crescimento da economia no quarto trimestre de 2005, num processo que deverá ter continuidade em 2006, com a economia brasileira avançando na consolidação das bases de uma trajetória de crescimento sustentado no médio prazo”, diz o texto.

Quanto à inflação, o BC avalia que a política de juros altos teve sucesso ao conter a alta de preços, mas teve de elevar a projeção do IPCA de 5% para 5,7% neste ano. O objetivo do governo é 5,1%, mas o centro oficial da meta é de 4,5%, com margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais. Em 2006, a meta se mantém em 4,5%, e a estimativa é que o índice recue para 3,8% ao final do ano.

Ao comentar o relatório, o diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua, disse que os indicadores confirmam "resultados consistentes e boas perspectivas para o crescimento futuro", em função do "ritmo acelerado de recuperação da economia daqui pra frente". Assim como afirma o relatório, Bevilaqua ressaltou a importância do comércio exterior para a recuperação da economia brasileira. A meta do governo brasileiro de exportar US$ 117 bilhões em 2005 foi alcançada terça-feira (27).

O BC elevou sua previsão de aumento do saldo comercial positivo tanto neste ano quanto no próximo. Para 2005, a projeção subiu de US$ 43 bilhões para US$ 44,5 bilhões, com a expectativa de exportação tendo sido elevada de US$ 117 bilhões para US$ 118,5 bilhões e de importação ficando estável em US$ 74 bilhões. Para 2006, a previsão aumentou de US$ 34 bilhões para US$ 35,5 bilhões – puxada por um aumento da estimativa de exportação de US$ 123 bilhões para US$ 124,5 bilhões. Vale destacar que o saldo comercial deve cair no ano que vem por conta do aumento das importações, estimuladas pelo dólar barato.

As análises e previsões do BC fazem uma tabelinha “quase” perfeita com o ministro Antonio Palocci. “Quase” porque na entrevista coletiva de sexta-feira (23) passada, o ministro dissera que o país teria condições de crescer em 2006 nos mesmos níveis de 2004, quando a expansão foi de 4,9%. Ambas as previsões – a de Palocci e do BC, que é de 4% – estão acima das estimativas do mercado financeiro, ao redor de 3,5%.

Mais otimista também está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que falou de economia durante a assinatura de convênios com universidades federais para a construção de centros universitários nas cinco regiões do país. "Acreditem que o Brasil entrou, definitivamente, na rota do crescimento econômico. E não um crescimento de vôo de galinha, que cresce um ano e cai outro ano", disse na cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

O presidente confirmou ainda que o governo irá quitar a dívida de US$ 2,6 bilhões com o Clube de Paris, da mesma maneira que foi feito com o Fundo Monetário Internacional. "Crescemos, somos donos do nosso nariz, iremos estabelecer a nossa matriz de política econômica, a nossa política de crescimento, e queremos com os organismos multilaterais toda solidariedade do mundo, mas queremos tocar a economia brasileira à custa daquilo que nós temos de mais importante, que é a nossa força de trabalho", disse.

* Com informações da Agência Brasil
 
Fonte: Agência Carta Maior

Última atualização: 29/12/2005 às 11:17:00
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