Com a batida do martelo na aquisição do BEC por R$ 700 milhões, caberá ao Bradesco em caráter de exclusividade, durante cinco anos, o pagamento da folha dos cerca de 117 mil servidores públicos estaduais, dos fornecedores e da custódia dos títulos públicos federais adquiridos pelo Estado. Foi batido o martelo. O Banco do Estado do Ceará (BEC) é controlado agora pelo Bradesco. Depois de 12 tentativas desde 2002 — sendo quatro só este ano — marcadas por forte batalha judicial, a instituição financeira finalmente foi a leilão ontem, às 16 horas (15 horas em Fortaleza), na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrando uma trajetória de 41 anos. Por R$ 700 milhões, o Banco Bradesco S/A levou o BEC e passa a ser o segundo maior banco do Estado, praticamente quadruplicando a sua presença no Ceará. Sai de 26 para 95 agências. O valor pago pelo Bradesco representa ágio de 28,98% sobre o preço mínimo de venda do BEC - R$ 542,72 milhões. Das quatro instituições financeiras habilitadas a participar do leilão - Bradesco, GE Capital, Itaú e Unibanco -, apenas o Bradesco e o GE Capital concorreram ao BEC. Os demais bancos não mandaram representantes. Foram negociadas 82.459.053 ações ordinárias pertencentes à União, em bloco único, representando 89,17% do capital social da instituição e 89,35% do capital votante. O BEC tem hoje 69 agências no Ceará e uma em Brasília (DF), o que representa 19,01% das instituições bancárias presentes no Estado, mais de 281 mil contas correntes e 863 funcionários ativos. Com a venda do BEC, o governo do Ceará vai receber ao todo R$ 728,56 milhões. São R$ 700 milhões provenientes do leilão e mais R$ 28,56 milhões referente a oferta de 10% das ações ao empregados do banco com o deságio de 50%. Os outros 50% pagos pelo novo controlador já estão inclusos no preço mínimo. Segundo o diretor de Liquidação e Desestatização do Banco Central , Gustavo Vale, todo o dinheiro arrecadado com a privatização — exceto R$ 66,5 milhões que vão livres para os cofres estaduais — vai para o Estado abater a sua dívida com a União (R$ 984,72 milhões), contraída com o saneamento do BEC em 1999. Estima-se que, hoje, o saldo devedor esteja em quase R$ 1,2 bilhão. CABEC - Ainda de acordo com Vale, o BEC será entregue ao novo controlador com o déficit do fundo de pensão — R$ 54 milhões — totalmente coberto, pago por meio do fundo de contingência constituído para este propósito. Caberá ao Bradesco em caráter de exclusividade, durante cinco anos, o pagamento da folha dos cerca de 117 mil servidores públicos estaduais, dos fornecedores e da custódia dos títulos públicos federais adquiridos pelo Estado. O novo controlador também deverá manter por 24 meses a Caixa de Previdência dos Funcionários do BEC (Cabec). O leilão de privatização do BEC foi viabilizado depois que a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, derrubou, ontem no início da tarde, nova liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio de Melo, na noite da última segunda-feira, 19, impedindo a venda do BEC. A nova liminar foi fruto de ação movida pelo Sindicato dos Bancários do Ceará. ESPECIAL - Por entender a importância da história do BEC para o Estado, o Diário do Nordeste investiu em uma cobertura especial da desestatização da instituição financeira enviando o jornalista Anchieta Dantas Júnior especialmente à Bovespa.
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Fonte: Diário do Nordeste |