As últimas projeções, considerando 80% de votos apurados, indicam que Evo Morales tem mais de 50% dos votos nas eleições deste domingo (18) na Bolívia, contra cerca de 30% de Jorge Quiroga. Caso se mantenha essa tendência, Evo Morales deve vencer no primeiro turno. Em caso contrário, o Parlamento deverá decidir em segundo turno, mas a diferença substancial indica que não haverá alternativa que não seja confirmar a vitória do candidato do MAS na primeira volta eleitoral.
Jorge Quiroga já reconheceu a vitória de Evo Morales e de Alvaro Garcia e não fez nenhuma menção sobre um eventual segundo turno no parlamento, o que significa que reconhece o triunfo no dia de hoje dos candidatos do MAS. Em todas as capitais da Bolívia, danças dos povos indígenas ocupam as praças principais.
O clima da eleição foi tranquilo, mas o escândalo esteve em que mais de um milhão de pessoas não puderam votar, porque seus nomes não estavam na lista, em um total de 3.6 milhões em condições de votar. A eleição para o Senado aponta para uma divisão entre o MAS e a oposição, no total de 27 cargos a serem preeenchidos. As últimas projeções apontavam o MAS com 13 eleitos o que pode dar a Evo a maioria. Na sede do MAS, em La Paz, os militantes gritam, em protesto pelo que consideram uma enorme fraude, que impede a Evo Morale triunfar no primeiro turno, assim como pode impedir o partido de conseguir maioria no Senado: "Ganhamos a guerra suja", além dos gritos tradicionais do partido: "Somos Más" e "Unidos somos Más".
Evo Morales conseguiu a maior votação que um candidato à presidência da Bolivia já obteve, desde a reinstauração da democracia parlamentar, em 1982. Evo ganhou em cinco dos noves Estados, concentrando sua maior votação na região ocidental, onde se concentra a população aymara e quechua.
Evo retornou de La Paz a Cochabamba, porque disse que quer estar com sua gente, na sua região. Ele dará entrevista em Cochabamba, enquanto que o vice-presidente Alvaro Garcia Linera fará um pronunciamento oficial ainda neste domingo. A posse do novo presidente será no dia 22 de janeiro e está prevista a convocação da Assembléia Constituinte no dia 6 de junho. O MAS, em pleno período de lua-de-mel, pretende ter uma vitória esmagadora, determinando a nova configuração política e institucional da Bolívia. Fonte: Agência Carta Maior
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