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Notícias

  16/12/2005 

Crianças invisíveis

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou ontem, 14, a publicação Estado Mundial da Infância 2006: Excluídos e invisíveis, na qual analisa a situação das crianças e adolescentes que vivem nas situações mais vulneráveis e difíceis de serem protegidas, e explora as causas da exclusão e os maus tratos que sofrem a infância. Para o Unicef, essas crianças tornam-se invisíveis quando são obrigadas a trabalhar como empregados domésticos ou quando caem em redes de tráficos de seres humanos.

Na América Latina e no Caribe cerca de 11% das crianças, entre 5 e 14 anos, trabalham. Além das más condições de trabalho elas carecem de acesso à escola, à saúde e outros serviços básicos necessários para o desenvolvimento. Em todo o mundo são cerca de 171 milhões de crianças que são obrigadas a trabalhar em condições perigosas e com maquinaria pouco segura, em fábricas, em minas e na agricultura.

Diretora executiva do Unicef, Ann M. Veneman, disse, durante a apresentação do informe, em Londres, que "não é possível conseguir um progresso duradouro se seguimos sem prestar atenção às crianças mais necessitados: as mais pobres e as mais vulneráveis, aquelas que são vítimas da exploração e dos maus tratos".

Cerca de 2 milhões de crianças são vitimas da exploração sexual em todo o mundo, "escondidos da vista do público que os explora, e privados de educação e serviços essenciais, as crianças que são vítimas desse tipo de exploração são talvez as mais invisíveis de todas".

Segundo o Informe, a taxa de mortalidade infantil entre menores de cinco anos é de 31 em cada mil crianças nascidas na América Latina e no Caribe. No Haiti, esse número chega a 117 e na Bolívia a 69. Cerca de 9% dos recém-nascidos latino-americanos e caribenhos estão com o peso abaixo do ideal, enquanto nos países industrializados essa taxa é de 7%.

As condições sanitárias dos países latino-americanos e caribenhos não contribuem para uma melhoria na saúde de sua população, 25% dos moradores dessa região não têm acesso a fontes adequadas de saneamento, enquanto que, nos países industrializados, todas os moradores têm o saneamento básico adequado. Nos países industrializados os governos gastam 16% de seus orçamentos em saúde, na América Latina e no Caribe esse gasto corresponde a, em média, 7% dos orçamentos dos governos.

O informe Infância 2006 disse que as crianças que sofrem privações de seus direitos sendo obrigadas a trabalhar em funções que deviam ser desempenhadas por adulto, são impedidas de passar por etapas fundamentais para o desenvolvimento infantil.

O informe disse que as crianças e os adolescentes que carecem de serviços básicos são mais vulneráveis à exploração porque dispõem de menos informação para protegerem-se e de menos alternativas econômicas. Para os elaboradores do informe, se não prestarmos uma maior atenção às crianças invisíveis, elas continuarão esquecidas "prisioneiras de uma infância na qual impera o abandono e os maus tratos, o que pode ter conseqüências devastadoras para seu bem-estar em longo prazo e para o desenvolvimento dos países em que vivem".

Fonte: Adital

Última atualização: 16/12/2005 às 11:26:00
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