A principal discussão no Encontro de Trabalhadores de Bancos Federalizados, realizado na última segunda-feira, 7/6, em São Paulo, foi pela unificação da luta pela retirada do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), Banco do Estado do Ceará (BEC) e Banco do Estado do Piauí da lista do Programa Nacional de Desestatização (PND).
A pressão total junto aos parlamentares destes Estados foi ponto de consenso entre os sindicalistas. "Temos que ampliar nossa atuação e trabalhar em conjunto no Congresso Nacional, para mostrar que realmente estamos juntos na luta contra a privatização. É preciso sensibilizar a área política do governo, não só a econômica", destacou o Presidente do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região (SEEB Floripa), Rogério Soares Fernandes.
Uma comissão de representantes dos três bancos foi criada para articulação das ações junto com a Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT). O Secretário Geral da Confederação, Carlos Cordeiro sinalizou que o entendimento da entidade também é o de que há necessidade urgente de atuar junto aos parlamentares. "Nós vamos ter de pressionar muito", afirmou.
No Encontro foram dados diversos encaminhamentos, dentre eles acompanhar a tramitação do projeto da então senadora Marina Silva que trata da retirada de empresas públicas (menos os bancos) do PND, a manutenção das contas públicas nestes bancos, criação de uma marca especial na campanha salarial contra a privatização, agendar reunião da CNB com o presidente nacional da CUT, Luiz Marinho e com o presidente nacional do PT José Genuíno, com a máxima urgência.
Fernandes lembrou da vitória parcial dos trabalhadores do Besc pela recente decisão favorável do Ministério Público contra a federalização do banco. Agora a categoria aguarda a decisão do TRF da 4ª Região, que poderá reverter o processo de federalização e barrar a ameaça de privatização. Envolver a sociedade civil na luta pelo Besc estadualizado deve ser um dos eixos da estratégia do movimento sindical. "A população acredita na recuperação do banco. Basta ver que no concurso que o Besc realizou este ano 74 mil pessoas se inscreveram. Para o concurso da Eletrosul, uma empresa que saiu do PND, foram 20 mil inscritos", comparou o sindicalista.
BEC - Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Vaumik Ribeiro da Silva, o Estado terá um prejuízo sem precedentes se o BEC for privatizado com o fechamento de postos de trabalho. "Hoje o BEC tem 40 agências no interior e mantém todas elas, enquanto os bancos privados fecham", disse o sindicalista. Ele lembrou que uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas considerou o BEC o melhor banco público do país em 2003, do ponto de vista financeiro. Uma das alternativas que o sindicato trabalha hoje é o de incorporação ao BNB, para fortalecer o BNB e preservar o patrimônio e os quadros do BEC.
Fonte: CNB-CUT |