As eleições do domingo passado na Venezuela ocultaram a divulgação dos últimos dados sobre a economia venezuelana. Além do fortalecimento da democracia, é notável a aceleração, na Venezuela, do desenvolvimento econômico e social nos últimos dois anos. Os dados do 3° semestre 2005 confirmam os dados anteriores. O PIB cresceu 9,8%, determinando um crescimento de 9,1% nos primeiros 10 meses do ano, a melhor performance do continente.
O mais interessante é que esse crescimento foi principalmente puxado pelas atividades não petrolíferas. Nessas atividades, o setor privado cresceu 11,% enquanto o setor público cresceu 5,4%, devido a aumentos do consumo final privado (+15,1%) e do consumo final do governo (+8,2%). O investimento deu um salto de 32,4%. Esses resultados são os primeiros efeitos dos programas sociais de transferência de renda e de acesso ao crédito bem como do estimulo governamental aos setores da construção civil (hospitais, escolas, casas etc.) e da agricultura.
Reparemos a adesão da Fedecamaras (empresariado nacional) ao pacto social que o presidente Chavez vem construindo. José Bétancourt, o novo presidente da Fedecamaras declarou ter se enganado ao apoiar o golpe de estado de 2002 e desejou ''virar a página. Uma postura em claro contraste com os velhos partidos da oposição, sem programa nacional, que decidiram não participar das últimas eleições, antevendo nas pesquisas mais uma importante derrota.
Talvez a maior derrota para essa oposição fosse a divulgação, no dia seguinte das eleições, do índice EMBI+ : esse principal indicador do ''risco país'' caiu para 316 pontos, um dos níveis mais baixos (e também mais baixo que o ''risco país'' do Brasil), traduzindo de fato uma confiança reforçada dos investidores internacionais no ambiente econômico e político da Venezuela.
ALEXANDRE ZOURABICHVILI é especialista econômico, professor da Unifor Fonte: Jornal O Povo |