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Notícias

  07/12/2005 

Ipea reduz de 3,5% para 2,3% previsão para crescimento do PIB em 2005

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão ligado ao Ministério do Planejamento) revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira neste ano. A estimativa caiu de 3,5% para 2,3%.

A projeção do instituto de pesquisa do governo é ainda mais pessimista do que a média do mercado. Segundo o último relatório Focus, organizado pelo Banco Central junto às principais instituições financeiras, a economia brasileira deve crescer 2,66%.

As revisões do mercado e do governo ocorreram após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informar, na semana passada, que o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 1,2% no terceiro trimestre.

Na avaliação do Ipea, a retração da economia no terceiro trimestre está vinculada à crise política, que afetou os investimentos, ao fraco desempenho do setor agropecuário, da construção civil e ao comportamento dos juros.

A variação de estoques também teve papel fundamental na redução das projeções de crescimento. Segundo cálculos do Ipea, a variação de estoques teve uma queda de 80,4% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. No segundo trimestre, período de maior expansão da economia, houve um forte acúmulo de estoques.

Com a desaceleração no trimestre seguinte, ocorreu a desova dos produtos estocados. "A variação de estoques reflete uma desaceleração da demanda frente as expectativas dos empresários que produziram acima do que veio a ser demandado", afirmou o diretor do Ipea, Paulo Levy. Investimentos e estoques foram os principais responsáveis pela revisão na projeção de crescimento do Ipea.

"O comportamento frustrante do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre e a apreciação da taxa de câmbio real verificada nos últimos meses reforçam a importância de que o país tenha uma trajetória declinante da taxa de juros ao longo de 2006", informa o Boletim de Conjuntura do Ipea.

A revisão das projeções jogou um balde de água fria no governo, que esperava um crescimento de 3,4% em 2005, um resultado que por si só já significaria uma perda de ritmo em relação ao desempenho de 2004, quando houve expansão de 4,9%.

A redução mais significativa ocorreu na projeção de investimentos, que representam a compra de máquinas e equipamentos e a construção civil. O Ipea reduziu sua previsão de expansão de 5,3% para 0,9%.

"Tivemos a partir da segunda quinzena de junho um quadro de enorme incerteza política, com comentários até sobre um possível impeachment do presidente. Este quadro não é favorável à tomada de decisões de investimento", afirmou Fábio Giambiagi, economista do Ipea.

O menor patamar de investimentos é preocupante porque indica uma capacidade menor de expansão no futuro. A compra de máquinas e equipamentos por meio de importações, por exemplo, deve ter um crescimento de 11% no ano e não de 13,3% como o instituto previa em setembro.

Segundo o Ipea, a construção civil foi afetada pelas taxas de juros elevadas apesar da criação de um conjunto de medidas de estímulo ao setor no final de 2004.

"Ainda que o gasto público tenha se expandido a taxas expressivas em 2005, ele o fez muito em termos de benefícios previdenciários e outros gastos de custeio que não têm impacto sobre a construção civil, como tem os investimentos públicos", afirmou o diretor do Ipea, Paulo Levy.

Já o consumo das famílias também deve crescer menos que o previsto anteriormente. A projeção passou de 3,4% para 2,8%.
A única variável que apresentou elevação foi a das exportações, cujo crescimento foi revisto de 11% para 11,9%, apesar da taxa de câmbio considerada desfavorável para os exportadores.

A agropecuária deve ter crescimento de 1,6%, exatamente a metade do que se previa até setembro. Já indústria medida no PIB teve estimativa de expansão revista de 4,9% para 2,7%. Por sua vez, os serviços caíram de alta de 2,1% para 1,8%.

O índice de inflação que serve de base para a meta de inflação, o IPCA, deve encerrar o ano em 5,7%, o que representa um patamar 0,6 ponto percentual acima da meta ajustada de inflação para este ano, de 5,1%. A previsão anterior era de 5,3%.

Para o quarto trimestre, o Ipea prevê um crescimento da economia de 1,4% em relação ao terceiro trimestre. Segundo Levy, os dados divulgados hoje referentes à produção automobilística em novembro mostram que os fatores negativos sobre a economia estão sendo revertidos.

"O ponto importante é que a política monetária já mudou de sinal, a taxa de juros já está começando a cair e com isso pode-se esperar uma retomada de taxas de crescimento mais elevadas a partir do ano que vem", disse.

A desaceleração da economia no terceiro trimestre causou impacto também nas projeções de expansão para o próximo ano. O Ipea revisou de 4% para 3,4% o crescimento em 2006.

O Ipea estima que o próximo ano seja marcado por redução dos juros, investimentos em alta (com previsão de 7%) e menor crescimento das exportações. Elas deverão passar de uma expansão de 11,9% em 2005 para 4,1%. Em compensação, o instituto prevê aumento do ritmo de importações, com alta de 16,5%.

"Esperávamos um nível de importação maior este ano em razão da taxa de câmbio e do desempenho da economia este ano. Achamos que com taxas de crescimento mais elevadas, as importações voltem a crescer e com isso reduzam a contribuição da balança comercial para o crescimento do PIB", afirmou Levy.

A previsão do instituto é que o saldo da balança comercial passe de US$ 44,4 bilhões este ano para US$ 35,8 bilhões.

Fonte: Folha On Line

Última atualização: 07/12/2005 às 10:52:00
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