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| 27/07/2010 |
Nossa Voz - Trabalhadores do BNB em mobilização permanente |
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?Queremos quebrar essa lógica de desigualdades no BNB? |
Defender os interesses de seus associados nas relações de trabalho com o BNB é um dos objetivos da AFBNB, que busca em suas ações a valorização do funcionalismo. É por esta razão que a Associação integra a Comissão Nacional dos Funcionários do BNB e participa das mesas permanentes e rodadas de negociação da campanha salarial. Para aprofundar as questões que envolvem o tema, o Nossa Voz conversou com o presidente da entidade, José Frota de Medeiros.
Nossa Voz – Iniciamos mais uma campanha salarial em busca de melhores condições de trabalho e salário. Na sua avaliação, que reivindicações os funcionários do BNB não podem abrir mão?
José Frota de Medeiros – Isonomia, revisão do plano de cargos e implementação de um plano de funções que tenha regras claras de comissionamento e descomissionamento. Quanto à isonomia, temos que acabar de uma vez por todas de caracterizar vários tipos de funcionários do BNB – aqueles que têm licença-prêmio e os que não têm. A campanha está sendo construída no valor da igualdade. Direitos suprimidos por Byron ainda não foram restituídos. E, ao não retificar injustiças, é como se essa Diretoria reconhecesse que aquilo que foi feito é o correto. Eu não me conformo com isso. Eu espero que até o fim do ano – e vamos lutar por isso – todos os esqueletos da era Byron desapareçam. Quanto à revisão do PCR, considero fundamental. Quando você faz o concurso do banco, faz para o cargo. Você passa e não deve nada a ninguém. Depois você toma posse e vai atrás de uma comissão. Mas esta deverá sempre ter o caráter suplementar e não complementar. A função não é universal, não é para todos, e é vulnerável, porque cada Diretoria do Banco cria um plano específico que é a sua cara. Isso mostra a fragilidade que é o plano de funções para o próprio projeto de vida do funcionário do banco e reforça nossa luta pelo plano de cargos e salários – esse, sim, é fundamental pela natureza do BNB. Ao invés de carreira de empresa, o PCR deveria ter cargos com características de carreira de Estado, como o Banco Central e os Ministérios.
A AFBNB tem desempenhado um papel importante no que se refere à mobilização do funcionalismo. O que podemos esperar da campanha salarial deste ano?
Temos muitas reivindicações potencializadas e uma experiência acumulada gerada com a última greve, que foi vitoriosa. Poderemos, a partir desse acúmulo de experiências, fazer uma boa mobilização nesta campanha salarial. Para este momento, é preciso uma resistência a mais, que a gente exceda na nossa mobilização, organização e luta, porque queremos quebrar essa lógica de desigualdade no BNB, de funções, de comissões e, principalmente, de tratamento dos funcionários. Não há funcionários de categorias diferentes. Nossa luta é também pela solução do passivo trabalhista – que também reflete na falta de isonomia, quando uma base ganha um direito na Justiça e a outra, não. Precisamos, em torno dessas bandeiras, tentar construir uma força que possa arrancar melhores acordos, que dêem um salto qualitativo para que tenhamos a reconquista daquilo que nos foi tirado e alargar novas conquistas.
O papel dos bancos públicos entra em pauta mais uma vez. Que avanços esperamos ter com essa discussão?
Estamos sofrendo um grande impasse que nós prevíamos, quando a economia começasse a crescer. Os bancos públicos – BNB, BB, Basa e CEF – estão crescendo por causa da dinâmica econômica e também da nova política de crédito do governo federal, que se expandiu, democratizou-se, abriu-se mais para o conjunto da população. Isso foi também uma das principais alavancas do crescimento do consumo, da economia, depois dos novos investimentos que redundaram numa taxa de crescimento que hoje se aproxima da China. Mas muita coisa precisa ser feita em relação às desigualdades sociais. É aí que entra o papel dos bancos públicos. O Nordeste tem crescido e o Brasil também, dentro de uma modernização sem inclusão social – a chamada modernização conservadora. Defendemos uma revolução ética, humanística, para que todos esses produtos e serviços sejam bem distribuídos para todos os seres humanos. Então é necessário que haja uma reformulação e retificação permanente desse modelo de crescimento. Caso contrário esse modelo poderá ser caracterizado apenas como acumulação capitalista sem distribuição de renda e riqueza.
A novidade este ano é a discussão sobre o papel do Sistema Financeiro Nacional, antiga preocupação da categoria que ganha mais relevância após a crise mundial de 2008, deflagrada pela ausência de regulação do sistema financeiro. Como o senhor vê a importância dessa discussão?
O sistema financeiro tem um papel social. Ele estabelece a seguinte articulação: aqueles que têm capital e não têm onde investir emprestam para aqueles que têm onde investir e não têm capital. Mas hoje o setor financeiro está tendo uma autonomia em si, financeirizando a economia, criando capital fictício (como os US$ 11 trilhões que apareceram para socorrer a economia nos Estados Unidos na crise, quando se estima que bastariam US$ 62 bilhões para combater a fome no mundo). Esse papel fictício é uma característica fundamental da hegemonia do sistema financeiro hoje na economia mundial. Está desregulado mesmo, seguindo rumo ao abismo. Tem que haver regras transparentes, um controle que evite esse movimento do capital financeiro, que se torna um setor em si, tirando lucro sobre lucro, sem gerar riqueza e emprego. Isso não pode se sustentar muito. As últimas crises vêm mostrar isso.
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| Última atualização: 30/11/-0001 às 00:00:00 |
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