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05/03/2008

Nossa Voz - Pelo fim do assédio moral e da exploração no BNB

Atenção especial para o semi-árido e a gestão dos recursos hídricos

No livro “Por um Nordeste Melhor - proposta de estratégias de desenvolvimento regional”, o Conselho Técnico da AFBNB destaca que o Semi-árido e a gestão dos recursos hídricos merecem uma atenção especial e uma investigação profunda dentro da construção de uma política nacional para o desenvolvimento regional, por suas implicações em termos demográficos, econômicos e sociais.
Para o agrônomo Francisco Raimundo Evangelista, mestre em Economia Aplicada, doutorando em Economia e membro do Conselho Técnico da AFBNB, toda política pública voltada para o Nordeste se justifica primeiramente pela questão do semi-árido. “Com as suas características específicas, o semi-árido é uma região onde a atividade agrícola é muito mais arriscada do que em qualquer outro lugar do país, assim como a atividade de criação”, destaca. Ele reconhece que isto não justifica de todo o atraso da Região, mas lembra que “parte da explicação vem da dificuldade de se desenvolver uma atividade primária, que seria a primeira do processo de desenvolvimento”.
Quanto às implicações em termos demográficos, econômicos e sociais, Evangelista ressalta que o semi-árido, pelas suas condições ambientais e socio-econômicas, é uma região onde há tendência das pessoas emigrarem. “A falta de alternativas, de certa forma, expulsa as pessoas, não gera fonte de renda, não dinamiza a economia local”, aponta. “As pessoas emigram porque as condições em geral são difíceis, não há emprego”, completa. A pobreza (econômica) da região semi-árida faz com que ela seja pobre, também, do ponto de vista social. “Faltam escolas e unidades de saúde. O déficit de esgoto nas cidades do semi-árido é maior, assim com o de abastecimento de água”, informa Evangelista.
Quando se acreditava que o problema do Nordeste era a falta de água, a açudagem foi apontada como solução para os problemas. Por isso, há mais de cem anos surgiu a idéia de se fazer uma transposição de águas do rio São Francisco. “Depois o diagnóstico evoluiu e constatamos que o problema não é só falta de água; o problema é de pobreza, é de subdesenvolvimento, e tem que ser atacado com uma visão mais ampla”, declara Evangelista. Dessa forma, ele avalia que a transposição não deve acabar com todos os males do Nordeste semi-árido. “Este é um ponto que está em discussão, porque um estudo afirma que já temos água armazenada o suficiente para atender toda a população. Se assim for, o problema não é só armazenar água, mas levar a água aonde estão as pessoas, os animais e os cultivos”, avalia.
A gestão dos recursos hídricos se apresenta, então, como ponto fundamental na construção de políticas públicas para o Nordeste, pois implica na correta e democrática administração da água existente. “A questão está colocada como gestão de recursos hídricos porque é um problema de administrar o armazenamento de água. Não é simplesmente acumular, mas fazer com que a água caminhe até onde estão as pessoas, evitando o carro-pipa e, com ele, o clientelismo e os males que estão a ele associados”, finaliza Evangelista.
O semi-árido requer atenção ainda pelos seus aspectos ambientais: é mais provável que áreas degradadas de florestas úmidas se recuperem, quando a pressão exploratória diminui, do que o semi-árido. No nosso caso, já se fala em desertifi-cação, ou seja, perdas irrever-síveis se os problemas não forem cuidados a tempo. 

 

Última atualização: 30/11/-0001 às 00:00:00
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